Ultimamente tenho me sentido incomodada com a minha imagem
exterior e meu comportamento, àquilo que estou atrelada por viver neste mundo
contemporâneo tão cheio de demanda e tão vazio de si.
Meu comportamento por mais que eu cuide é modelado pelas
condições sociais que se apresentam a mim. Mesmo vivendo nestas condições e consciente
delas, eu não gosto. É como se aquele “perigoso” vazio reflexivo que algumas
pessoas só desenvolvem em tempos de férias andasse comigo 24 horas por dia. É
angustiante não ter alternativas seguras de mudança ao constatar que a vida até
aqui não foi vivida do jeito que eu gostaria.
Não gosto de não ter
alternativas e ainda por cima a vida é cheia de paradoxos. Como os pais que
trabalham demais para dar sustentar a família e não tem tempo para os filhos,
mas se diminuem o ritmo do trabalho não conseguem prover a sobrevivência deles.
E a solução deste impasse não lhes cabe. Ou fazer dieta gerando estresse que
consome a glicose necessária ao autocontrole para resistir às tentações.
Quando você anda fora
do padrão comportamental que a sociedade construiu você é encarado como
possuidor de algum problema e se transforma muitas vezes num imã de conseqüências
negativas, mesmo quando você tenta pensar diferente, fora da caixa. Acaba tendo
que engolir o mantra que criou para se sentir melhor com o mundo: “pelo menos
sou consciente e por isso vivo melhor que os outros”
Foi então que tomei
uma decisão. Infame, indigna perto de outras que poderiam ser consideradas, mas
ainda assim uma decisão minha, portanto respeitosa. Mudarei minha imagem física
para ela se adaptar melhor ao que sou no meu interior, ainda que o espelho
jamais consiga refletir isso.
Não significa mudar
quem sou e sim como me mostro. Tem mais a ver com comportamento social do que
com autoconhecimento. Estou falando de dieta sim e também de corte de cabelo,
coloração, textura de pele, vestes do corpo, etc. “Mas isso tudo é tão
superficial, ugh!” Óbvio que é superficial, isso é imagem física. Não me sinto
bem ao me importar com essas coisas, mas a decisão já está tomada e foi bem
pensada em termos de tempo, saúde e comportamento.
Toda essa cadência depressiva que faz parte do meu ser
cresce cada vez que tenho 10 minutos de extrema felicidade por comer uma pizza
ou cachorro quente ou uma lasanha ou tudo ao mesmo tempo com um delicioso
drinque docíssimo e alcoólico para acompanhar! Naturalmente associada ao
funcionamento cerebral, a má alimentação colabora com o aumento da depressão e é
nesta situação em que eu me encontro. É engraçada a tendência de o mundo ficar
pior e menos habitável cada vez que engordo.
Legal fazer dieta mudar o shape, ser saudável. Porém, só para variar, os dados são desanimadores.
O organismo humano não evoluiu para aceitação de dietas e apenas 1% das pessoas
que fazem dieta consegue manter o peso e sua rotina alimentar. Temos tudo
contra nós! Além da gigantesca oferta alimentícia do ambiente moderno, nosso
cérebro – era para esse cara ajudar não era?- entende que o nosso peso máximo é
o ideal e vai fazer você querer comer, comer e comer até regressar ao peso que
tinha antes da dieta, tudo para que mantenha sua reserva de energia em caso de
período de fome. Bela resposta evolutiva!
Poxa cérebro, seu atrasado, o ser humano não passa mais
períodos de fome tá sabendo? A não ser em alguns locais da África nesse caso
você tem a obrigação moral de ir fazer seu trabalho lá, não aqui. Obrigado por
nada!
Já a ansiedade, super
realçada nos indivíduos modernos, dado o padrão social no qual vivemos, aumenta
as chances de adquirir hábitos compulsivos. Por isso que o foco da mudança da
imagem física não pode ser a alimentação, tem que ser algo como atividades
físicas, atividades intelectuais, sociais, mas não a comida!
É mais fácil não
ceder à tentação de uma pizza gigante se eu não estiver com a atenção voltada a
ela o tempo todo. Ou ainda, quando você faz novos amigos e desenvolve novos
interesses é mais fácil resistir à tentação do docíssimo, alcoólico e delicioso
drinque com os amigos que detestam o mundo tanto quanto você.
Mas não nos deixemos enganar, pois o paradoxo não foi
embora, tampouco resolvido. Apenas agora o foco é outro. Ainda que a imagem
transmita de maneira mais efetiva quem eu seja, eu preciso ser alguma coisa, alguém.
E a construção do ser é permanente! Nunca se esqueça.
Informações científicas sobre dietas:
Cláudia Feitosa-Santana: pós doutora em neurociência
integrada, doutora em neurociências e comportamento, mestre em psicologia experimental.
https://www.youtube.com/watch?v=kKYxR9zFu8o
vídeo casa do saber
imagem: Vida Morgada, do blog medicinaunp.blogspot.com

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